Quando se luta contra o universo, já é uma luta perdida. Luta-se contra si mesmo, e não há perdedores.
Se alguém me perguntasse o que eu espero que digam sobre mim, provavelmente eu responderia: “Que sou forte.” É algo que soa bem, que carrega admiração, mas também um peso enorme. Porque, muitas vezes, enquanto as pessoas me veem como alguém resiliente, firme, de pé diante das adversidades, por dentro eu me sinto destruída, despedaçada em partes que nem eu sei como juntar de novo.
E talvez seja esse o ponto: estou sempre pensando. Pensando em como melhorar, no que poderia ter feito diferente, no que ainda precisa ser feito. Pensando no futuro, nos erros do passado, nos “e se” que nunca acontecem. E, nesse excesso, percebo o quanto a vida vai escapando. A vida que está acontecendo agora, no exato momento em que respiro, enquanto meu coração bate, enquanto o sol nasce e se põe.
Marco Aurélio escreveu: “A felicidade da sua vida depende da qualidade dos seus pensamentos.” Mas e quando esses pensamentos são incessantes, quando nos aprisionam em um ciclo que nos impede de viver? A filosofia estoica nos lembra que o verdadeiro poder está em controlar como reagimos ao que acontece, não em tentar controlar tudo ao nosso redor. Mas é tão difícil sair dessa armadilha da mente.
No Yoga, aprendi que quando nossa mente está está agitada, cheia de pensamentos, não conseguimos enxergar nada com clareza. É preciso paciência para deixar as águas se acalmarem. E, nessa calma, percebemos que não somos nossos pensamentos. Não somos as histórias que criamos sobre nós mesmos, nem as expectativas que tentamos atender. Somos algo muito mais simples e profundo: somos o aqui e agora, o momento presente.
Mas isso não significa que é fácil. Há dias em que a armadura da força pesa demais, dias em que me sinto tão vulnerável que só quero me esconder. E tudo bem. Aprendi que ser humano é isso: é ter momentos de fragilidade, é cair e se sentir perdido. Mas também é sobre levantar, sobre tentar de novo, mesmo quando parece difícil demais.
Epicteto dizia: “Não são os eventos que nos perturbam, mas o que pensamos sobre eles.” E isso me faz refletir sobre como muitas das minhas dores vêm de histórias que minha mente cria. Histórias sobre quem eu deveria ser, sobre o que os outros esperam de mim. E talvez eu precise parar de pensar tanto nessas histórias. Talvez eu só precise viver, estar presente, respirar e permitir que as coisas sejam como são.
A força que os outros veem em mim talvez esteja exatamente nesse processo: em continuar, mesmo nos dias em que me sinto quebrada. Em aprender que não preciso parecer forte o tempo todo, porque ser forte, na verdade, é aceitar a minha humanidade. É aceitar que não há problema em sentir dor, em se perder, em recomeçar.
E enquanto escrevo isso, percebo que a vida não espera. Ela não pausa enquanto eu fico preso nos meus pensamentos, tentando consertar tudo. A vida acontece agora, no instante em que olho ao meu redor, em que sinto o ar entrando nos meus pulmões, em que escolho, mesmo com medo, dar mais um passo. E, no fundo, talvez seja isso que realmente importa.
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